Escutar para Decidir: A Voz dos Alunos na Prática Pedagógica do 1.º CEB turma 01
Apresentação
O quadro normativo da educação em Portugal, designadamente o Decreto-Lei n.º 54/2018 e o Decreto-Lei n.º 55/2018, reforça a importância da inclusão, da flexibilidade curricular e da participação dos alunos nos processos que lhes dizem respeito. Estes diplomas sublinham a necessidade de ajustar as respostas pedagógicas aos contextos e de envolver os alunos na construção dos seus percursos de aprendizagem. Em articulação com referenciais europeus, como o Profile for Inclusive Teacher Professional Learning, a ação docente é entendida como prática reflexiva, fundamentada na valorização da diversidade e na responsabilidade profissional. Apesar deste enquadramento, no quotidiano das escolas a participação dos alunos nem sempre é um elemento fundamental na tomada de decisões pedagógicas permanecendo muitas vezes circunscrita a momentos informais ou pouco integrados na planificação e na avaliação. A presente ação justifica-se, assim, pela necessidade de aprofundar a reflexão docente sobre as condições, limites e potencialidades da escuta enquanto recurso profissional. Pretende-se promover a análise situada das práticas e o confronto fundamentado de conceções, explorando modos de integrar de forma mais consistente a participação dos alunos na prática pedagógica do 1.º CEB. A ação insere-se no plano de atividades da entidade proponente como iniciativa de desenvolvimento profissional orientada para a qualificação das práticas e para a construção de respostas pedagógicas contextualizadas.
Destinatários
Professores do 1º Ciclo (grupo 110)
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores do 1º Ciclo (grupo 110). Para efeitos de aplicação do artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação não releva para efeitos de progressão em carreira.
Objetivos
Aprofundar a integração da voz dos alunos na decisão pedagógica no 1.º CEB.
Conteúdos
A ação organiza-se em torno de quatro eixos articulados. Num primeiro momento, procede-se ao enquadramento conceptual da participação dos alunos no contexto educativo, com referência ao quadro normativo nacional e a contributos da investigação sobre voz dos alunos e educação inclusiva. Explora-se a escuta enquanto dimensão da ação pedagógica, distinguindo entre práticas informais, consulta pontual e integração consequente na decisão profissional. Num segundo momento, centra-se a atenção na análise das práticas docentes. A partir de situações concretas e de instrumentos de autoanálise, os formandos são convidados a identificar modos de escuta presentes no seu quotidiano, bem como os seus limites e potencialidades. Trabalha-se a escuta como processo interpretativo mediado pelo professor, problematizando as tensões que atravessam a decisão pedagógica. Num terceiro momento, introduzem-se dispositivos de escuta e critérios de qualidade para a sua utilização, com especial enfoque na regularidade, na devolução aos alunos e na integração na planificação e na avaliação. São exploradas formas de tornar a participação mais sistemática, garantindo múltiplas possibilidades de expressão. Num quarto momento, promove-se a reformulação de práticas, orientando os formandos na construção de propostas ajustadas ao 1.º CEB. A ação culmina na sistematização de princípios orientadores que sustentem a integração da voz dos alunos na prática pedagógica, reforçando a articulação entre reflexão profissional e melhoria das experiências educativas.
Metodologias
A ação decorre em regime b-learning, alternando entre momentos presenciais, sessões a distância (síncronas e assíncronas) e trabalho autónomo orientado. As sessões presenciais têm como objetivo o enquadramento inicial, a consolidação intermédia e a partilha final, dando preferência ao debate estruturado e a interlocução qualificada. As sessões a distância síncronas integram aprofundamento conceptual, análise orientada de práticas e trabalho colaborativo em pequenos grupos, sempre com mediação do formador. As sessões assíncronas centram-se na leitura crítica da prática profissional e na reformulação fundamentada de situações pedagógicas, sempre com orientações precisas e momentos de apoio ao longo do percurso. A abordagem utilizada tem como objetivo fomentar uma reflexão contextualizada, a confrontação de diferentes pontos de vista e a fundamentação da decisão pedagógica no 1.º CEB.
Avaliação
A avaliação dos formandos é individual e contínua, tendo em consideração a participação fundamentada nos diferentes momentos da ação e nos trabalhos produzidos. Serão considerados a qualidade da intervenção nas sessões presenciais e a distância síncronas, o envolvimento nas atividades propostas e o desenvolvimento das tarefas assíncronas orientadas. A avaliação termina com a elaboração de um relatório final de reflexão crítica, onde o formando deverá analisar a evolução das suas conceções e práticas, mostrando de que modo a escuta da voz dos alunos pode fundamentar a tomada de decisão pedagógica no 1.º CEB. Serão valorizadas a coerência, a capacidade de problematização e a articulação entre enquadramento conceptual e prática profissional.
Bibliografia
Decreto-Lei n.o 54/2018 Da Presidência Do Conselho de Ministros, Diário da República: I Série, n.o 129. 2918 (2018). https://files.diariodarepublica.pt/1s/2018/07/12900/0291802928.pdf European Agency for Special Needs and Inclusive Education (ASNIE). (2022). Profile for Inclusive Teacher Professional Learning: Including all education professionals in teacher professional learning for inclusion. https://www.european-agency.org/resources/publications/TPL4I-profile Messiou, K., & Ainscow, M. (2015). Responding to learner diversity: Student views as a catalyst for powerful teacher development? Teaching and Teacher Education, 51, 246–255. https://doi.org/10.1016/j.tate.2015.07.002 Messiou, K., & Lowe, A. (2023). Developing student-researchers in primary schools through inclusive inquiry. Educational Action Research, 1–16. https://doi.org/10.1080/09650792.2023.2298418 Conner, J. O. (2022). Educators’ experiences with student voice: how teachers undestand, solicit, and use student voice in their classrooms. Teachers and Teaching, 28(1), 12–25. https://doi.org/10.1080/13540602.2021.2016689
Formador
Sandra Marina Garcia Gonçalves
Cronograma
| Sessão | Data | Horário | Duração | Tipo de sessão |
| 1 | 06-10-2026 (Terça-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Presencial |
| 2 | 06-10-2026 (Terça-feira) | 20:00 - 21:00 | 1:00 | Online assíncrona |
| 3 | 13-10-2026 (Terça-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Online síncrona |
| 4 | 20-10-2026 (Terça-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Online síncrona |
| 5 | 27-10-2026 (Terça-feira) | 18:00 - 21:00 | 3:00 | Online assíncrona |
| 6 | 03-11-2026 (Terça-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Online síncrona |
| 7 | 10-11-2026 (Terça-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Presencial |
| 8 | 02-12-2026 (Quarta-feira) | 17:00 - 21:00 | 4:00 | Online assíncrona |
| 9 | 09-12-2026 (Quarta-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Online síncrona |
| 10 | 15-12-2026 (Terça-feira) | 18:00 - 21:00 | 3:00 | Online assíncrona |
| 11 | 05-01-2027 (Terça-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Presencial |